A Nova Ordem do Talento IT: Da Eficiência de Custos à Continuidade do Negócio
A Nova Ordem do Talento IT: Da Eficiência de Custos à Continuidade do Negócio
Durante muitos anos, o mercado de IT foi definido pela escassez. A agenda era clara: atrair, contratar, crescer. Mas a maturidade do setor trouxe uma nova realidade.
A estabilização das contratações no setor tecnológico em Portugal não deve ser lida como abrandamento. É o sinal de um mercado que deixou de crescer por volume e passou a selecionar por impacto. A verdadeira ameaça à competitividade já não está na escassez nominal de profissionais, mas sim na erosão do know-how crítico e no desfasamento entre o talento disponível e o talento necessário para sustentar crescimento.
Num setor onde a execução tecnológica define a capacidade de entregar ao cliente, falhar na estratégia de talento deixou de ser um risco de RH. É um risco de negócio.
O mito da escassez: O Verdadeiro Desafio é Correspondência
A narrativa de que “não há talento” em Portugal exige uma leitura mais rigorosa dos dados.
Segundo dados da EUROSTAT, o emprego em IT cresceu mais de 60%. Hoje, representa cerca de 5,2% do emprego total, acima da média europeia, e mais de 20% das empresas nacionais já empregam especialistas tecnológicos.
As organizações procuram talento sénior, especializado e imediatamente produtivo. O mercado, porém, apresenta uma base mais ampla que exige desenvolvimento e especialização progressiva. O resultado é um bloqueio estrutural: 39% das empresas enfrentam dificuldades severas de contratação e, em 64% dos casos, o fator crítico é a falta de competências específicas.
Isto cria um passivo estratégico. Organizações que não desenvolvem talento tornam-se dependentes de um mercado cada vez mais limitado e mais caro.
Upskilling deixou de ser Desenvolvimento, passou a ser Infraestrutura
A liderança estratégica exige uma mudança de paradigma: as empresas têm de assumir um papel ativo na produção de conhecimento. Upskilling e reskilling deixaram de ser iniciativas de desenvolvimento.
São investimentos estruturais para proteger a capacidade de execução futura. Tal como a tecnologia e infraestruturas físicas, a capacidade de gerar e renovar conhecimento tornou-se um ativo core. São investimentos estruturais para proteger capacidade de execução futura.
Num mercado tecnológico em aceleração contínua, não investir nesta dimensão significa aceitar, progressivamente, a obsolescência do negócio.
Inteligência de Mercado: de Reporting a Instrumento de Decisão
Os indicadores do setor IT não são apenas métricas operacionais. São dados de inteligência estratégica. Permitem antecipar pressões salariais, identificar escassez emergente e ajustar estratégias de contratação, retenção e desenvolvimento antes que o impacto se materialize.
A produtividade futura não será definida apenas pela tecnologia adotada, mas pela velocidade com que as lideranças transformam sinais de mercado em decisões estratégicas sobre capital humano.

Thomas Marra
Country Manager da Gi Group Portugal